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:. H I S T Ó R I A .:
Lenda da Princesa Peralta
Indústria de Lanifícios
Fundação do Concelho
Turismo
Lenda da Princesa Peralta
As origens de Castanheira de Pera remontam, certamente, a muitos séculos antes do primeiro documento histórico comprovativo.
O primeiro documento conhecido, referindo nomes de povoações do actual
concelho, tem a data de 1467 - é uma sentença de Afonso V sobre os
baldios do Coentral. Porém, existe uma lenda que nos fala da princesa Peralta, filha de
el-rei Arunce. Esta lenda foi escrita, em 1629, por Miguel Leitão de Andrada.
![O Rei Arunce e a Princesa Peralta - Quadro do Mestre Carlos Reis [clique para ampliar]](images/peralta1.jpg)
Segundo
a lenda, em 72 a.C., fugida de Colimbria, em consequência da invasão do
reino, Peralta
refugiou-se com seu séquito no Castelo de Arouce (Lousã).
Por influência de Sertório (guerreiro romano que por ela se
apaixonou), decidiu ir para Sertago.
No caminho, morreu sua aia, Antígona, que ali mesmo foi enterrada. Sobre
a sepultura foi colocada uma lápide com a seguinte inscrição: "ANTÍGONA DE
PERALTA AQUI FOI DA VIDA FALTA".
A deusa Vénus, que perseguia a princesa, enviou
um poderoso raio, que transformou os acompanhantes em montanhas e a bela
Peralta numa formosa sereia, que ficou vivendo nas águas que brotavam da
serra.
Esse raio desfez, igualmente, a lápide, onde, para a posteridade, apenas
ficou da primitiva inscrição: ANTIG...A DE PERA...
Desta lenda maravilhosa nasceu Castanheira de Pera.
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Indústria de Lanifícios
Há muitos séculos atrás, os castanheirenses resolveram aproveitar os
recursos naturais locais e desenvolver as artes e os ofícios que sabiam.
Havia pastagens, rebanhos, lãs, boas águas, gente que sabia tosquiar,
fiar, cardar, tecer, pisoar e tingir. Assim, nasceu a arte dos lanifícios em Castanheira de Pera.
Predominou uma produção artesanal até 1860, altura em que foi criada
a primeira fábrica.
José Antão fundou a primeira fábrica do concelho, na
Abelheira de Baixo, movida por roda hidráulica. J osé Antão era um
comerciante ambulante da Gestosa Fundeira, que comprava os seus artigos
no Porto e vendia-os ou trocava-os por lã no Alentejo. De espírito
arguto, resolveu manufacturar a sua lã, fundando, em 1860, uma fábrica.
Muitas fábricas se
seguiram: Retorta, Várzea, Safrujo, Esconhais, Rapos,
Pereiros, Torgal, Bolo, Foz, entre outras.
Um grande amor à terra, as naturais tradições do
fabrico de lanifícios e a fonte de energia natural, que era a Ribeira de
Pera, favoreceram este surto de desenvolvimento.
![Panfleto de propaganda da Fábrica da Foz - 1904 [clique para ampliar]](images/fozweb.jpg)
A população não
dependia, agora, apenas de uma agricultura de subsistência, das
migrações para o Ribatejo e Alentejo, da emigração para o Brasil ou dos seus rebanhos, pisões ou teares caseiros; havia as fábricas.
A implantação industrial foi o motor de desenvolvimento de Castanheira
de Pera, que chegou a ser o terceiro centro nacional da indústria
de lanifícios.
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Fundação do Concelho
Castanheira de Pera pertenceu à freguesia de Santa Maria de
Pedrógão. Em 1502, foi fundada a freguesia de Castanheira de Pera. Mais
tarde, em 1691, a freguesia do Coentral.
De 1895 a 1899, Castanheira e Coentral pertenceram ao concelho de
Figueiró dos Vinhos, quand o o concelho de Pedrógão Grande foi extinto.
Em 1899, um decreto restaurou o concelho de Pedrógão
e Castanheira e Coentral voltaram a pertencer a este concelho.
A importância social e
económica de Castanheira, decorrente do desenvolvimento da indústria de
lanifícios, impunha-se ao concelho que, radicado em
Pedrógão, era acusado de "administração desligada dos interesses das
povoações do nordeste".
Castanheira pretendia, assim, desanexar-se de Pedrógão. Porém, as lutas políticas e as
rivalidades eram muitas.
Numa terrível campanha eleitoral, em 1913, a lista da Castanheira
conseguiu a vitória para a Câmara de Pedrógão, por escassos três votos.
Conquistada a Câmara, estavam abertas as portas para a autonomia
municipal. Foi elaborado o projecto de lei
n.º 47-A, da autoria de Victorino Godinho, que justificava a
criação d o concelho de Castanheira de Pera: "Castanheira de Pera é
uma das mais florescentes povoações do país (…) atestam-no bem a pujança
industrial e comercial, o número relativamente elevado dos seus
habitantes (5.684) e as suas contribuições para a Fazenda Nacional e
para o município. (…) Ao norte da Castanheira existe outra freguesia do
concelho de Pedrógão, Coentral (839) habitantes, que com aquela se
encontra em fáceis comunicações e que naturalmente deverá fazer parte de
novo concelho, que assim ficará com 6523 habitantes (…)".
A lei n.º 203, que aprovava a criação do concelho, foi publicada no
Diário do Governo, I ª série, n.º 99, de 17 de Junho de 1914. Em 4 de Julho de 1914,
é fundado o concelho de Castanheira de Pera.
Um dos períodos mais complicados, mas também dos mais pitorescos do
concelho de Castanheira de Pera foi o que decorreu de 1923 a 1926 -
período em que houve dois executivos camarários antagónicos que se
auto-consideravam legítimos e que, em nome da lei, cobravam impostos e
aplicavam multas.
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Turismo
A economia do concelho assentou, durante décadas, na indústria de
lanifícios. Contudo, a partir de 1980, a indústria começou a atravessar
uma grave crise, que levou ao encerramento de várias fábricas.
A aposta num diferente sector - o turismo - apresentou-se como uma
alternativa viável, uma vez que o concelho possui múltiplos recursos
endógenos (ribeiras, serra, património, artesanato, gastronomia,...).
Assim, nos últimos anos, verificou-se um grande investimento na
potencialização/exploração desses mesmos recursos.
Aproveitando as águas da Ribeira de Pera, foi criada a
Praia Fluvial das
Rocas - um complexo de
lazer situado num lago com quase um quilómetro de
extensão. A grande atracção desta praia é uma piscina de ondas
artificiais que ocupa 2100 m2 (a maior do país).
Após a abertura deste complexo turístico, em 2005, mais de duzentas mil
pessoas
visitaram Castanheira de Pera.
Actualmente, a Praia das Rocas é o cartão de visita do concelho.
Tal como as indústrias de lanifícios, no século XIX, foram o motor de
desenvolvimento do concelho; o turismo, no século XXI, é e será,
certamente, o novo motor de desenvolvimento do concelho.
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Última Actualização:
Novembro de
2007
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