
MARCO DA PRAÇA
CARTAS AO DIRECTOR
"O Castanheirense" acolhe e incentiva a livre participação dos leitores na discussão de temas de interesse colectivo através da secção "Correio dos Leitores - Marco da Praça".
Os textos só serão considerados se vierem dactilografados ou em formato informático, a fim de evitar interpretações erradas. Não deverão exceder o equivalente a uma ou duas folhas de papel formato A4.
Um Portugal novo
Antigos emigrantes velhos roteiros que a partir dos anos sessenta deixavam o nosso país á procura de valores sociais sobre o continente Europeu e Mundial - Embaixadores de boas causas mostrando um potencial valor na capacidade de adaptação - Impondo uma força de vontade com fins reconhecidos entre os bons trabalhadores da Europa. Havia nesses tempos preocupação constante que embaraçava o nosso espírito para traversar-mos a vizinha Espanha à pergunta de férias merecidas no nosso País - Viagem que nos deixava um sabor amargo nesses tempos já longínquos devido ao mau estado das estradas atravessando pequenas e grandes vilas com filas intermináveis facilmente extraviados sobre direções desconhecidas - Mantendo nós migrantes na nossa memória uma legenda informativa quando perguntávamos a grupos dos nossos visinhos Espanhóis a boa direção a seguir para entrar-mos no nosso País - As respostas saíam variadas insolentes e atrevidas - sempre em frente onde encontrares um homem a trabalhar e três a descançar sabeis que estais em Portugal.
Banal ou futilidade propaganda ou bom senso a imprensa visual relata-nos que as gentes do norte tem uma outra concepção do trabalho mais vivos e enérgicos que as gentes do centro e do sul do nosso País. Com este bom feito são os nortenhos possuidores de um titulo honorifico chamado DOM - sendo os mesmos sacrificados na questão salarial com 40 % a menos que os salários praticados na área de Lisboa equivalentes estes a 1.500 euros — mensais certos que temos dúvidas da autenticidade desta nota informativa saída diretamente dos jornais televisivos do pequeno ecrã atribuindo uma média de altos valores salariais ao conjunto de trabalhadores do nosso País - gostaríamos de saber em qual escalão se situam esses bons salários divulgados recentemente afetando o estado de espírito dos nossos trabalhadores.
Como é do conhecimento geral 70 % dos mesmos trabalhadores recebem em média salarial compreendidos entre os 350 e 450 euros mensais - Sendo esta a verdadeira média nacional dos nossos trabalhadores que contribuem cada dia ao desenvolvimento da riqueza nacional do nosso País.
Cérebro sem conhecimento - é como um barco sobre a terra firme.
Ao abrirmos o livro da vida na página dos anos 70 que gravaram na nossa memória o destino da nossa existência não como marinheiros do Infante D. Henrique na descoberta dos caminhos marítimos - Mas de igual modo dotados de uma vocação imaginária de que fizeram prova milhões dos nossos compatriotas que seguiram o caminho da emigração à procura de paraísos desconhecidos.
Fomos um povo rejeitado e confundido manifestando o nosso desagrado como orfelinos da mesma sociedade vivendo sobre o mesmo regime de comunidade pertencendo à mesma colectividade cultural e linguistica servindo com devoção o dever patriótico. Fomos confrontados com o nosso destino acordando nós razão à perseverança ou qualidade de acção para tocar-mos o nosso País por um outro País misterioso, tendo apenas em nosso poder um único meio de orientação uma bússola de expressão bíblica) que de graça nos motivava e encorajava na caminhada para outro mundo novo.
Perguntai e vós encontrareis - Batei e as portas se abriram.
Crentes e não crentes envolvidos na mesma galera pondo as mãos aos céus implorando a divina graça para alcançar-mos os dons necessários à finalização de uma missão especifica - para que a nossa acção não fosse diminuída e voltasse-mos pelos mesmos passos para não subir-mos um julgamento popular - expondo-nos a riscos sobre horizontes obscuros puxando as nossa forças ao extremo para alcançar-mos um novo ELDORADO - um País onde o povo exerce um poder soberano num regime político chamado democracia.
Continuando a reviver na nossa memória as coisas simples da vida desse País que nos acolheu - Confundido foi o nosso espírito com a limpeza e a beleza das imensas planícies cultivadas de norte a sul do País um paraíso de beleza verdejante, criando espaços florestais no centro das mesmas planícies - Valorizando o colorido e atraindo a si o olho artístico do paisagista. Confrontados com problemas de ordem física e moral relacionados com a integração e a travessia dos primeiros três meses de Inverno com baixas significativas da temperatura com camadas intermitentes de neve e gelo - alojados no mesmo edifício com gentes de variadas raças e culturas diferentes. Etc. A força do nosso consciente mostra-nos que as dificuldades sociais dessa época em Portugal - E que se estendem aos tempos presentes com um magro poder de compra - Sabendo nos que todos os produtos comercializados em Portugal são os mais taxados da Europa havendo uma obstinação ou teimosia política para desacreditar o nosso povo que a pouco perdeu a confiança seja no investimento no poder de consumação. Etc.
A nossa determinação baseada na confiança determinava que fora do nosso País existia uma outra Europa) um continente um conjunto de sociedades evoluídas - Onde os seus habitantes por vagas sucessivas foram alargando os valores que fundaram o humanismo pondo os seus interesses nos seres humanos com fins de igualdade e liberdade o respeito e a razão. Pela força das circunstancias os povos europeus se identificam à sua historia nacional - Estando envolvidos na paz para ultrapassarem guerrilhas e divisões dos povos Unidos estarão de maneira estreita a forjar um destino comum no caminho de uma via de civilização e de progresso, na prosperidade para o bem estar de todos os habitantes na Europa. Unida na maior diversidade de raças a Europa oferece as melhores regalias para seguir os direitos de cada Europeu na consciência das suas responsabilidades olhando as gerações futuras do nosso planeta. Esta grande aventura que criaram espaços privilegiados de esperança humana reconhecendo aos membros da convenção Europeia de terem elaborado uma constituição ao nome do cidadão e dos estados membros da Europa.
A moral da história seria mais perfeita se o poder político Português tomasse consciência do estado degradado de pobreza do desenvolvimento económico e cientifico empenhando-se a construir valores sociais e um Portugal novo, onde faça, bom viver.
Armando Vaz Pontífice
EDUCAÇÃO
Podemos fazer a diferença . . .
A professora Teresa conta que no seu primeiro dia de aula parou em frente aos seus alunos da 5ª séria primária e, como todos os demais professores, lhes disse que gostava de todos por igual. No entanto, ela sabia que isso era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um garoto chamado Ricardo.
Ela, aos poucos, notava que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheiravam mal. Houve até momentos em que ela sentia um certo prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.
Ao iniciar o ano letivo, era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos, para tomar conhecimento das anotações.
Ela deixou a ficha de Ricardo por último. Mas quando a leu foi grande a sua surpresa . . .
Ficha do 1° ano
" Ricardo é um menino brilhante e simpático.
Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos.
Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele."
Ficha do 2º ano
"Ricardo é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos.
A vida em seu lar deve estar sendo muito difícil."
Ficha do 3º ano
"A morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Ricardo.
Ele procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajuda-lo"
Ficha do 4° ano
"Ricardo anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula."
A professora se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. . . . E ficou pior quando se lembrou dos lindos presentes de Natal que recebera dos alunos, com papéis coloridos, exceto o do Ricardo, que estava enrolado num papel de supermercado.
Lembrou que abriu o pacote com tristeza, enquanto os outros garotos riam ao ver que era uma pulseira faltando alguma pedras e um vidro de perfume pela metade.
Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão.
Naquela ocasião Ricardo ficou um pouco mais de tempo na escola do que o de costume. Relembrou, ainda, que ele lhe disse:
- A senhora está cheirosa como minha mãe !
E, naquele dia, depois que todos se foram embora , a professora chorou por um longo tempo . . .
Em seguida, decidiu mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Ricardo.
Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava.
E quanto mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava.
Ao final do ano letivo, Ricardo saiu como o melhor da classe.
Seis anos depois, recebeu uma carta de Ricardo, contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera.
As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Ricardo Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Ricardo.
Mas a história não terminou aqui . . .
Tempos depois recebeu o convite de casamento e a notificação do falecimento do pai de Ricardo.
Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Ricardo anos antes, e também o perfume.
Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Ricardo lhe disse ao ouvido: "Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando-me que posso fazer a diferença ."
E com os olhos banhados em lágrimas, a professora sussurrou: "Engano seu ! Depois que o conheci aprendi a lecionar e a ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma do educando. Mais do que avaliar as provas e dar notas, o importante é ensinar com amor mostrando que sempre é possível fazer a diferença . . . "
Afinal, o que realmente faz a diferença ?
É o fazer acontecer a solidariedade, a compreensão, a ajuda mútua e o amor entre as pessoas. . . O resto vem por acréscimo . . .
Este é o segredo do Evangelho.
Tudo depende da PEDAGOGIA DO AMOR.
O educando, no processo de formação escolar, tem necessidade de amar e compreender. Da mesma forma, o professor, no exercício de seu magistério, tem necessidade de ser amado e ser compreendido.
Assim, a necessidade de amar do aluno e o desejo de ser amado do professor nunca andam separados, são a base de uma relação fraterna e recíproca entre professor e aluno.
Uma criança quanto mais sente que é amada, mais disciplinada estará para receber a ministração das aulas. Onde não há reciprocidade, isto é, o amor do aluno para com o professor e do professor para com seu aluno, não assimilação ativa, não há a razão de ser da educação escolar: o desenvolvimento do educando como pessoa humana.
Os principais personagens de nossa história se enquadram perfeitamente dentro destas diretrizes.
Enviado por Salvador Tomaz
Castanheirense radicado no Brasil há 52 anos
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MINHA ÁRVORE DE NATAL Quisera, Senhor, neste Natal, armar uma arvore dentro do meu coração e nela pendurar, em vez de presentes, os nomes de todos os meus amigos.
Os amigos de longe e de perto, os antigos e os recentes, os que vejo cada dia e os que raramente encontro.
Os sempre lembrados e os que, às vezes, ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes, os das horas difíceis e os das horas alegres.
Os que, sem querer, eu magoei, ou, sem querer, me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem me são conhecidos a não ser através das aparências.
Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos jovens e meus amigos velhinhos, meus amigos homens feitos e as crianças, minhas amiguinhas. Meus amigos humildes e meus amigos importantes.
Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida. Os que me admiram e me estimam sem eu saber e os que eu amo e estimo sem lhes dar a entender.
Quisera, Senhor, neste Natal, armar uma árvore de raízes muito profundas para que esses nomes nunca mais sejam arrancados de minha vida.
Uma arvore de ramos muito extensos para que novos nomes, vindos de todas as partes, se juntem aos já existentes.
Uma árvore de sombra muito agradável para que nossa amizade seja um momento de repouso no meio das lutas da vida.
FELIZ NATAL PARA TODOS Salvador Tomaz Castanheirense radicado há 52 anos no Brasil sem esquecer de sua origem
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