Página Cultural

 

 

Cristina Bernardo

 

Dos livros… Hoje,

                    antes... Das Histórias…

Sempre gostei de histórias e com saudade lembro-me bem pequena de ficar horas a fio ou parecia-me ser assim, a ouvir o meu pai que me contava histórias, algumas lidas outras inventadas. Fascinada ficava a imaginar os heróis, fadas e princesas como se ali estivessem bem presentes. Esse tempo passou, mas ficou-me o gosto pelo conto.

Não falo hoje de livros propositadamente, mas de histórias de natal. Nesta caso da história, da verdadeira história do Natal e de como tudo começou…

 

História do Natal

A Árvore de Natal é hoje uma das formas mais utilizadas pela família para colorir e encher de alegria a casa. São as crianças as primeiras a querer decorar a Árvore de Natal com enfeites (fitas) coloridos, bolinhas brilhantes e luzinhas de todas as cores. No entanto, a tradição do Natal leva-nos ao tempo do nascimento de um menino chamado Jesus.

Segundo a Bíblia, um livro a que designam também de Sagradas Escrituras, o Menino Jesus nasceu numa gruta em Belém, na região da Judeia. Porque os pais eram de outra região denominada de Nazaré, passou a ser conhecido por Jesus de Nazaré. Por isso, o primeiro Natal começou a ser celebrado nas vésperas do nascimento de Jesus.

Nesta história de Jesus, que conhecemos bem, aparecem Três Reis Magos, guiados por uma estrela até à gruta de Belém, que oferecem prendas ao Menino. Daí o facto do Natal estar ligado à oferta de prendinhas e à construção do presépio, que, S. Francisco de Assis fez representar pela primeira vez ao vivo, tal como a Bíblia descreve. Outra imagem ligada a esta quadra festiva é a do Pai Natal a percorrer as aldeias no seu trenó puxado por renas. Aqui, esta lendária figura, está associada a S. Nicolau, bispo de Myra, na Turquia, que era muito amigo das crianças e salvou muita gente de morrer à fome. As meias e os sapatos colocados à porta eram a forma encontrada pelas crianças para que o Pai Natal S. Nicolau os pudesse encher de presentes.

O Pai Natal que hoje vês vestido de fato vermelho, de calças e túnica, e de barrete da mesma cor na cabeça, foi pensado por uma empresa de bebidas em 1931, para promover os seus produtos. Como se tornou uma figura simpática e colorida, a partir daí passou a ser o Pai Natal de todos.

Outra tradição de Natal, infelizmente perdida em muitas das nossas aldeias, é a Missa da Meia-Noite. Este costume começou no ano 400 e está ligado ao nascimento de Jesus, que dizem ter nascido, precisamente, à meia-noite. Esta missa também é conhecida pela Missa do Galo porque, segunda uma lenda antiga, a única vez que um galo cantou à meia-noite foi, exactamente, na noite que o Menino Jesus nasceu.

Apesar de tudo ainda gosto de pensar que o Pai Natal é da Lapónia!!!

Falando de Natal, parece-me bem deixar-vos aqui mais uma prenda:

 

Um poema de Natal de Miguel Torga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.

Feio bicho, de resto:

Uma cara de burro sem cabresto

E duas grandes tranças.

A gente olhava, reparava e via

Que naquela figura não havia

Olhos de quem gosta de crianças.

 

E, na verdade, assim acontecia.

Porque um dia,

O malvado,

Só por ter o poder de quem é rei

Por não ter coração,

Sem mais nem menos,

Mandou matar quantos eram pequenos

Nas cidades e aldeias da nação.

 

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu

Que, num burrinho pela areia fora,

Fugiu

Daquelas mãos de sangue um pequenito

Que o vivo sol da vida acarinhou;

E bastou

Esse palmo de sonho

Para encher este mundo de alegria;

Para crescer, ser Deus;

E meter no inferno o tal das tranças,

Só porque ele não gostava de crianças.

 

(Miguel Torga)

 

 

 

 

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