Director

António

Carreira

 

Nº 1755

24-11-2003

Fundado 

01-01-1937

PÁGINA INICIAL

PÁGINA DO MUNICÍPIO

E-mail: ocastanheirense@ocastanheirense.com

Noticiário

Entrevista com Bebiano Rosinha

Página Cultural 
Opinião
Desporto
Bombeiros
Poesia
Rir dá Saúde
Cantinho Brasileiro
Demografia
Coluna do Consumidor

I Concurso De Montras De Natal

Publicidade

Ficha Técnica

Jorge Adelino

Webmaster

BOMBEIROS:
Muito serviço com pouco dinheiro


EDITORIAL

INCÊNDIOS FLORESTAIS

A vida por vezes tem destas coisas: trabalha-se bem e passa-se despercebido. Acontece assim por exemplo com os árbitros de futebol – quanto melhor é o seu trabalho menos falados são.

Parece também que é o que está a acontecer com os municípios que, com trabalho e investimento, asseguram nas suas áreas de intervenção uma protecção eficaz às populações, como é o caso de Castanheira de Pera.

Com um trabalho sério e empenhado de mais de duas décadas nas áreas de prevenção e vigilância, o nosso concelho tem visto afastadas do seu perímetro as grandes catástrofes de Verão que são os fogos florestais. Como contrapartida, em vez de ter o incentivo e o investimento público para dar continuidade a este trabalho, vê-se cada vez mais a braços com cortes orçamentais que implicam a redução, pelo menos em eficiência, dos seus meios operacionais. É que sem catástrofes não há Comunicação Social nacional para, pelo menos, nem que seja pela negativa, estes concelhos ocuparem as primeiras páginas dos jornais e aberturas dos serviços noticiosos das rádios e televisões nacionais. E sem cobertura mediática não há governo que se preze que venha ao meio do pinhal ver o que está a ser bem feito pela preservação das nossas florestas. Como ouvi há alguns anos, é muito pouco provável ver um ministro ou secretário de estado a inaugurar uma torre de vigia ou um estradão florestal.

No dia 11 de Agosto de 2003 estava uma daquelas tardes infernais de calor acima dos 40 graus. O país ardia, e sobre o concelho de Castanheira de Pera formava-se uma trovoada. Os bombeiros tinham grande parte dos seus meios disponíveis empenhados no combate ao incêndio que havia deflagrado na CGD, às 14.00 horas. Por volta das 16.00 horas ouvem-se as primeiras descargas eléctricas e soa o alarme para a zona dos Rapos, onde a faísca tinha caído num eucaliptal. Tive a oportunidade de acompanhar os bombeiros, juntamente com o Filipe Lopo, do Notícias do Pinhal, uma vez que ambos estávamos de "prevenção" no quartel, perante a grave ameaça que era uma trovoada seca com aquele calor. Subimos aos Rapos, deixámos a estrada de alcatrão para uma estrada florestal, e depois para outro ramal também em terra, e fomos dar a 10 metros do local do incêndio, menos de dez minutos depois de ter sido detectado pelas vigias. Ao chegarmos verificámos que o fogo estava dominado por uma brigada de sapadores florestais, no caso da Associação de Compartes, que estava em missão de vigilância nas imediações. Teriam ardido pouco mais de 20 ou 30 metros quadrados. Anos de trabalho em prevenção e vigilância tinham dado os seus frutos naquele preciso momento. O que poderia ter sido mais uma catástrofe neste Verão negro de 2003, foi apenas mais uma pequena ocorrência.

E afinal, esta pequena ocorrência, como outras dezenas que ocorrem todos os verões, não merecem a atenção dos media nacionais, possivelmente na altura ocupados a contar milhares de hectares de área ardida, milhões de euros de prejuízo, e dezenas de vidas humanas perdidas.

Porquê?

António Carreira

Página optimizada para 800x600x24 milhões de cores