Se está
aí, num qualquer lugar desse Além em que tão convictamente
acreditava, estas linhas, escritas um pouco a destempo, são para si,
Padre Aníbal.
Quanto
admirava, Pe. Aníbal, a sua determinação, a sua tenacidade, o seu
espírito de servir uma causa em que sempre acreditou, na sua postura
de Homem simples do povo. Manter um pequeno jornal numa freguesia
tão humilde, durante décadas, já é obra mas fazê-lo chegar a todos
os cantos deste mundo dos vivos só de um vulto determinado, um Homem
com vontade de ferro.
Vem-me de
repente à memória um dos nossos encontros naquela tarde em que este
gosto pelas "coisas" da região e dos jornais nos levaram até à
freguesia da Graça em reportagem por conta de um pai que
injustamente terá morto o próprio Filho. Lembra-se, Pe. Aníbal, de
nos sentarmos, depois das diligências jornalísticas, ao redor da
tosca mesa de pinho da taberna?
Dois
copinhos de alvaraço da região sobre a mesa para apagar a sede e uma
saca de sarja azul, apertada por um cordelinho branco de onde o Pe.
Aníbal tira a "tranca da barriga": Metade de uma boroa de milho, um
chouriço de lombo e um pedaço de toucinho cozido.
-Que
merenda gostosa, Pe Aníbal, está lembrado?
Era assim
o Padre Aníbal Coelho simples como a terra que o viu nascer e
morrer, o Nodeirinho, onde ainda com ele privámos já afastado da sua
paróquia mas nunca do seu jornal " A Voz da Graça ".
Procuraremos, cá em baixo, manter viva a chama desta imprensa
regional a que dedicou grande parte da sua vida.
Adeus e
até Sempre, Padre Aníbal.