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António

Carreira

 

Nº 1729

17-09-2001

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Jorge Adelino

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EDITORIAL

 

TERRORISMO...ATÉ QUANDO?

Quando fui alertado para o ataque ocorrido no dia 11 de Setembro contra a mais poderosa nação mundial, estava a trabalhar na redacção no fecho desta edição. Quem ligou, por telemóvel, dizia que tinha começado a 3ª Guerra Mundial. O que parecia ser uma brincadeira revelou-se, com uma simples deslocação para junto de um aparelho de televisão, numa dura e triste realidade.

Fixei o termo "3ª Guerra Mundial" e sugeriu-me uma reflexão. Terá de facto começado o terrível e final conflito mundial?

Uma breve e improvisada busca mental à fraca memória do meu cérebro leva-me a concluir que não será assim. Apenas porque na realidade a "3ª Guerra Mundial" foi iniciada quase há três décadas.

Lembrei-me do Setembro Negro, ocorrido durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, onde a selecção olímpica de Israel foi chacinada por um comando palestiniano da OLP. E, a partir daí, este "modus operandi" passou a entrar no quotidiano das nossas pequenas vidas.

Foram as "Brigate Rossi" italianas, o "Baden Meinhoff" alemão, a ETA no vizinho País Basco, o IRA irlandês, as "Brigadas Revolucionárias 25 de Abril" de triste memória entre nós, inúmeras guerrilhas na América Latina, Filipinas e Indonésia, e mais recentemente grupos dissidentes islâmicos, desde o "Abu Nidal" à organização liderada por Bin Laden, apontada como presumível responsável por este atentado nos Estados Unidos. A estas organizações poderemos juntar outras tão dispersas como as mafias, italianas e não só, cartéis da droga e outros criminosos, gangs urbanos de jovens marginais (ou marginalizados?) que pelo mundo fora têm semeado o medo, a morte a destruição. Ou as organizações neo - qualquer coisa, fascistas, nazis, algumas igualmente representadas em Portugal pelo MDLP e ELP, e mais recentemente pelos bandos de cabeças rapadas.

Com maior ou menor eficiência, com maior ou menor cobertura por algum estado marginal ao direito internacional, todas estas organizações causaram, de há trinta anos para cá, milhares de vítimas e prejuízos económicos incomensuráveis.

As respostas musculadas dos Estados a esta Guerra têm tido como resultado apenas um recrudescer progressivo da violência sem que se possa vislumbrar um fim para esta tragédia, que agora, na época da globalização, nos atinge por inteiro, quer vivamos em Long Island ou na Serra da Lousã. Daí que se possa concluir que esta não é a resposta correcta!

Para responder cabalmente a qualquer problema, é fundamental, antes de tudo, perceber, em toda a sua amplitude, qual é de facto o problema.

Saber dialogar implica, desde logo, tirar a nossa casaca de ocidentais, orgulhosa e detentora de "toda a verdade conhecida e desconhecida" (no caso dos movimentos islâmicos), ou de burgueses acomodados ao "deixa andar que eu estou bem assim" (no caso dos nacionalismos, europeus e não só).

Compreendemos que não é um exercício fácil. Requer alguma cultura e muita flexibilidade intelectual. E que também, por detrás duma realidade que parece ser óbvia, se esconde, por vezes, outra bem mais complexa. Basta atentar ao andamento das conversações de paz na Irlanda do Norte para o perspectivar.

É no entanto algo que tem que ser feito, e com urgência. Enquanto os estados ocidentais mantiverem a atitude de avestruz, continuaremos a assistir, e a sofrer na pele esta carnificina.

António Carreira