A Forte razão da qualidade
No 1º Congresso da Madeira, foi mencionado que a grande evolução verificada nos últimos 15 anos no sector da madeira, só é ultrapassada pela verificada ao nível informático.
Esta afirmação, pode parecer pretenciosa, mas ao constatarmos que não só os equipamentos industriais e a técnica de laboração e transformação do material lenhoso continua em grande e rápida modernização, mas também a indústria química, tem permitido potencializar a capacidade técnica e a versatilidade da madeira em mercados cada vez mais exigentes e competitivos. De facto os impermeabilizantes, os impregnantes, as colas, as ceras e os melhores acabamentos (técnicas e equipamentos), têm proporcionado à madeira, uma maior durabilidade, estabilidade e beleza, com óbvias vantagens comparativas sobre os mais usados materiais concorrentes. Também um mercado cada vez mais competitivo e exigente por parte das empresas consumidoras.
Os laminados colados, o MDF, o folheado, os aglomerados, etc., são exemplos da actual dinâmica e valorização crescente na utilização da madeira aos mais diversos níveis (mobiliário de interiores e exteriores, construção, vedações, janelas e portas, espaços verdes, ...) e dentro de superiores critérios de qualidade.
A madeira tem sido usada também com muito melhor racionalidade e aproveitamento devido a:
-Superiores exigências de mercado e comunitárias, no reforço do equilíbrio ambiental e na sustentabilidade dos ecossistemas florestais, está em curso inclusive o processo da ecocertificação das produções. * ( ver texto abaixo)
-Grande evolução da tecnologia e equipamentos, onde o uso de maquinaria de precisão computadorizada e da serragem com recurso do laser se destacam;
-Transformação dos desperdícios (reutilização), seja para aglomerados, combustível, jardinagem, apiários, etc.;
-Critérios mais adequados na selecção e triagem das madeiras e suas peças, face á sua aplicação final.
Estes parâmetros demonstram a actual necessidade de aplicação das melhores técnicas silvícolas ao nível da produção lenhosa e para a futura viabilidade/rentabilidade dos espaços florestais. As melhores madeiras, as mais versáteis e capazes, e com menos defeitos, proporcionam neste momento incomparáveis garantias e rendimentos, face às madeiras provenientes de florestas mal ordenadas e mal geridas, onde os defeitos imperam. Hoje, mais do que nunca, vale a pena pensar e investir em floresta – numa floresta mais rentável e mais sustentável.
O uso da madeira está-se a generalizar cada vez mais e de uma forma bastante acelerada, onde a procura de mais qualidade, conforto, beleza, durabilidade e mesmo conservação, a têm colocado no topo das preferências dos mais exigentes. Até já temos o Pavilhão Atlântico, a 2ª maior construção em madeira da Europa.
Torna-se essencial a ligação do silvicultor ao industrial e mesmo ao construtor e projectista, o que praticamente não acontece no nosso país. A harmonização com a interface produção/transformação, será fundamental no desenvolvimento da nossa floresta nacional.
A madeira é o único material 100% eco-eficiente e cuja renovação é feita em perfeita harmonia ambiental.
O caso particular do pinho, é por demais espectacular, pois em pouco mais de um decénio, está transformado na essência madeireira mais procurada a nível da indústria de mobiliário maciço, além das suas utilizações crescentes em carpintaria de interiores (tecto, lambris, soalhos, ...) e em diferentes objectos. Sobretudo esta procura/evolução está directamente relacionada com um aumento da razão qualidade/preço associada a muita versatilidade e plasticidade, que permitiu através do uso de produtos de escurecimento, tratamento e acabamento, e do painel, melhorar significativamente a sua aparência e procura no mercado.
E ninguém fala da irresponsabilidade das águas turvas !
Atenção às plantações ilegais e que são lesivas do meio ambiente, pois brevemente terão enormes dificuldades em vender os seus povoamentos e se os conseguirem vender, ... e com que preço?
Isto não é só retórica, pois a ecocertificação vai ser obrigatória em toda a Europa Comunitária já muito em breve.
Só para se perceber melhor o que é o meio ambiente e a REN (Reserva Ecológica Nacional) e porque são necessárias autorizações para mobilizar solos e para se executarem determinadas plantações – e que parece (no nosso país; aliás – à portuguesa, como se costuma dizer) poucos ligarem, desde os proprietários, às Câmaras Municipais, serviços responsáveis, técnicos e aos nossos governantes. E infelizmente, tenho que dar o exemplo da mais recente tragédia nacional, onde devido a sistemáticas infracções nas preparações das nossas encostas, nas plantações e cortes de povoamentos, os rios Douro e Tâmega, têm trazido milhões de toneladas do melhor solo, que ao depositar-se nas margens vai afunilando os rios, elevando a velocidade das águas em determinados pontos, afundando-os aí e descascando pilares. Veja-se que a água vem de tal modo carregada de terra que os mergulhadores não conseguem ver nada de nada. Aliás, essa terra é o nosso melhor solo e que nunca mais volta a subir, para onde faz uma falta vital, e lá se vai a nossa produção, aumentando a nossa pobreza. Quem quererá comprar terrenos com pouco ou nenhum solo de qualidade, onde muita coisa já não cresce e o que cresce, desenvolve-se muito pior.
De notar que todas estas situações se vão repetindo por todo o nosso Portugal e que aqui na nossa região a situação ainda é pior e mais irresponsável e irreflectida por parte de todos.
Que a desgraça e a dor, sirva de facto para começarmos a ter atitudes e comportamentos tecnicamente capazes (estranho ainda ninguém ter falado destas causas reais, que são tão óbvias). De realçar que também tem havido derrocadas e tragédias (Madeira, Sta. Marta de Penaguião, ...) e estradas caídas (IP5 e outras), que quase todos os casos, têm a ver com o que se vai fazendo de mal a montante, nomeadamente aquando das plantações florestais.
José Pais