DESERTIFICAÇÃO

E

ENVELHECIMENTO

 

Olhemos para o nosso país, de Norte a Sul, do interior para o litoral.

Pequeno e rico em diversidade, é assim Portugal!

Onde se encontra a população?

A primeira resposta que me ocorre é: distribuída por todo o território.

Mas, será mesmo assim?

Não, a distribuição da população está longe de ser uniforme e homogénea.

Diversos factores condicionam a fixação do Homem no território: clima, relevo, vegetação... também a acessibilidade e a importância de uma localização geográfica favorável são determinantes na forma como a população se distribui.

O litoral desde sempre que atraí o homem quer pelas características dos solos (mais férteis e fáceis de trabalhar), relevo menos acidentado, temperaturas mais amenas e agradáveis e... a paisagem!

As comunicações são mais fáceis de estabelecer junto do litoral e, como tal, desde cedo as populações privilegiaram esta área para se fixarem.

No interior a população aí existente viveu (e ainda vive) em condições mais adversas e difíceis: serra; solos menos ricos e a exigirem um trabalho mais árduo para, no fim, se obterem menos resultados que no litoral; condições climatéricas que vão das temperaturas elevadas no Verão às baixas temperaturas no Inverno (incluindo neve).

Dificuldades de vias de comunicação e em fazer chegar electricidade, água canalizada, saneamento, telefones...

O litoral conheceu um grande desenvolvimento visto que, maioritariamente, a indústria aí encontrou os factores favoráveis à sua localização e desenvolvimento.

O interior permaneceu ligado à agricultura e, só nalguns casos a indústria aí se instalou.

A dicotomia litoral/interior acentuou-se.

As cidades crescem e desenvolvem-se no litoral, a indústria e as actividades terciárias (os serviços) necessitam cada vez mais de mão de obra.

No interior há pobreza, pouco desenvolvimento e falta de emprego.

Muitos habitantes convertem-se em trabalhadores sazonais e percorrem o país consoante a necessidade de mão de obra. Seguidamente, sucedem-se as vagas migratórias para o Brasil e alguns países europeus (em especial a França e a Alemanha, no pós IIª Guerra Mundial).

Dentro do país os movimentos migratórios passam de sazonais a definitivos, as populações do interior deslocam-se para o litoral, onde o desenvolvimento deu origem a postos de trabalho.

O interior vai perdendo, assim, muita da sua população jovem activa em favor do litoral, especialmente, da faixa entre Viana do Castelo e Setúbal.

A faixa litoral do Algarve atrai, também, muita população devido à indústria hoteleira.

O interior vai-se esvaziando... envelhecendo...

Novas estradas são construídas melhorando, desta forma, a acessibilidade ao interior mas... O fenómeno intensifica-se!

Em vez de serem vias de entrada, de chegada de novos investimentos e desenvolvimento as vias de comunicação foram, essencialmente, vias de saída.

Os concelhos do interior perderam a maior parte da sua população jovem que, se concentrou nas cidades do litoral.

É cada vez maior o número de aldeias e lugares abandonados ou, pior ainda, onde ainda vivem meia dúzia de pessoas já com idade avançada.

Quantos idosos a viverem em locais desertos, isolados e de difícil acesso não se encontram sozinhos e a necessitarem de cuidados!

Em muitos casos estas pessoas quase não podem cuidar de si próprias, necessitam de cuidados de saúde, que os alimentem, vistam...

Não nos podemos esquecer que estão, infelizmente, à mercê de assaltos e são, muitas vezes, vítimas de violência física que já tem conduzido à sua morte.

Falei de bem estar físico mas existe ainda o lado humano: estão sós, precisam de companhia e de carinho mas, a família está longe...

Não são só as aldeias que quase não têm população, as vilas também!

As escolas primárias fecham por falta de alunos, os jovens vão para as cidades em busca de oportunidades, de um futuro.

Também aqui a população existente tende para o envelhecimento.

Esta situação é visível um pouco por todo o país. Não há eldorados!

No Algarve esta situação é particularmente gritante: um litoral rico, pujante e atractivo contrasta com o interior (a serra algarvia), a poucos quilómetros, pobre, sem água canalizada, sem electricidade, sem saneamento básico e envelhecido!

É este o nosso país: dum lado o litoral muito populoso, atractivo, desenvolvido e do outro lado o interior doente.

Sim, doente! Envelhecido e ao abandono, com áreas cada vez maiores despovoadas, abandonadas, descuidadas...

 

Ana Cravino

 

 

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